quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Contos legais


Editora: Rocco
Tradução: Alberto Lopes
ISBN: 8532515142
Páginas: 338
Ano de lançamento: 2003

Empolgantes, tensos e surpreendentes, os romances policiais sempre procuraram prender os leitores da primeira à última linha. Nas duas décadas que se passaram, toda uma geração de autores tem sido especialmente bem-sucedida nesta difícil tarefa: são advogados que se tornaram escritores. 

Normalmente, eles conhecem os bastidores da Justiça como ninguém e sabem usar sua experiência para criar ficção das mais interessantes. Onze dos melhores escritores/advogados da atualidade, como John Grisham e Michael A. Kahn, mostram seu talento na antologia Contos legais, organizada por William Bernhardt. Consagrados por excelentes vendagens, ótimas críticas, prêmios importantes ou adaptações para cinema e TV, eles aproveitaram a oportunidade de contar suas intrigantes histórias sem o compromisso de redigir centenas de páginas, o que acabou revelando facetas pouco conhecidas de cada um.

Em Contos legais, cada escritor convidado oferece uma abordagem diferente do rico universo das leis. John Grisham, por exemplo, concentra-se na terrível dor que destrói as vidas de ambas as partes envolvidas num caso de imperícia médica. O autor mostra que só precisa de poucas páginas para construir personagens de enorme complexidade, como faz no conto O aniversário. Esta é uma grata surpresa, em se tratando de um escritor que o público se acostumou a ver lançando livros extensos que se tornaram longas-metragens de cinema, como Tempo de matar, O cliente, A firma, O homem que fazia chover, A câmara de gás, O júri, O dossiê Pelicano e A casa pintada, todos publicados pela Rocco e filmados em Hollywood.

Já Michael A. Kahn revela em A redenção do condado de Cook que nem sempre é o juiz quem decide o veredicto, embora os tribunais não devessem funcionar desta maneira. Trata-se de mais uma jóia literária de Kahn, que divide seu tempo entre o trabalho como professor adjunto de mídia jurídica na Webster University e a carreira de escritor.Alguns escritores preferiram voltar a personagens que já protagonizaram romances seus. 

Criado por William Bernhardt, o advogado idealista Ben Kincaid, que normalmente se envolve em casos criminais, experimenta uma causa cível no conto É para isso que estamos aqui. Jeremiah Healy, vencedor do Prêmio Shamus de melhor romance policial, resgata o investigador particular John Francis Cody em Voir dire (Dizer a verdade). Grif Stockley mostra seu personagem Gideon Page às voltas com a violência doméstica em O divórcio

E Lisa Scottoline escreveu Carga oculta para explorar o lado mais humano do advogado Tom Moran, presente em romances anteriores da autora.Justiça poética serve como meio de Steve Martini revelar sua verve cômica, nunca vista com tanta força em seus livros. No conto, ele apresenta a genialidade de um lendário trapaceiro que finalmente se defronta com um vigarista à altura. 

Algumas páginas depois, Philip Friedman faz de Estradas um exercício literário de concisão, criando incríveis perfis psicológicos em apenas 19 páginas, sobre um advogado cujo passado volta para persegui-lo de uma forma que ele jamais poderia imaginar.

Mas talvez o que mais seduza os leitores sejam as histórias que tratam das entranhas desconhecidas do mundo jurídico, como Justiça de vão de escada, de Jay Brandon, que mostra como a maioria dos processos é resolvida sem que se precise chegar ao tribunal, mediante acordos fechados em conversas extra-oficiais realizadas em qualquer cantinho sigiloso, longe dos olhos de todos, ao largo da lei. 

Também é fascinante a leitura de Advogado de cadeia, de Phillip Margolin, sobre um sentenciado que adquiriu noções de direito durante os anos passados atrás das grades, a ponto de conhecer as leis melhor que muitos bacharéis, fenômeno que realmente acontece. Margolin já escreveu Rosas para lembrar, Depois do anoitecer, Coração de pedra, Prova de fogo e Justiça selvagem, editados no Brasil pela Rocco.

Outro destaque é o escritor Richard North Patterson, representado aqui pelo conto O cliente, um retrato do processo de amadurecimento de um jovem advogado, sob a tutela de um veterano dos fóruns. 

Resenha do livro O Último Jurado



por Lara Duarte | Magia Literária

Avaliação: 4/5

No ano de 1970, o jornal The Ford County Times entrou em falência,  foi então, que Willie Traynor, um rapaz de 23 anos, o comprou e passou a ser dono do jornal, que antes era famoso por seus obituários. Agora porém, as reportagens mudaram completamente com Willie na liderança, ele passou a escrever sobre os crimes ocorridos no Condado de Ford, e sobre os delitos e atos ilícitos ocorridos na cidade. Mas as vendas do jornal passaram a crescer vertiginosamente no momento que uma mulher foi estuprada e assassinada por um membro da conhecida família Padgitt. Willie então publicou todos os detalhes dessa terrível violência, e o The Ford County Times cresceu, pois passou a divulgar passo a passo da investigação. 

A família Padgitt é conhecida por cometer diversos atos ilícitos  tais como roubo, fabricação de uísque ilegal e contrabando, e mesmo cometendo diversos delitos, nunca, nenhum membro da família foi preso, por isso, a população ficou perplexa quando o assassino foi condenado. O julgamento foi tenso, pois o criminoso prometeu se vingar dos jurados, e assim, quando ele foi solto, o medo pairou no Condado de Ford, pois as pessoas ficaram receosas e amedrontadas com as ameaças que receberam. Será que ele realmente cumpriu com o prometido?

O último jurado, para mim, foi uma excelente leitura, que me prendeu desde o inicio, o autor criou um cenário maravilhoso e muito bem escrito, me senti no julgamento do assassino, que foi retesado e intimidador com as ameaças feitas. Eu adorei os personagens,  são todos muito queridos, na trama, Willie começa uma grande amizade com uma família que é moradora de um bairro conhecido por ser habitado pelos negros da cidade, e eles são simplesmente apaixonantes!! Willie os visita com frequência e eles se tornam grandes amigos. Essa família passou por grandes dificuldades e eu queria ler mais e mais sobre ela, ao mesmo tempo que queria saber mais sobre o assassinato e a condenação, e como seria a vida das pessoas juradas de morte e o que aconteceria com elas, fazendo com que eu me prendesse muito a narrativa.

Foi uma leitura que realmente eu não queria largar! Além de toda a trama do assassinato e julgamentos, o autor aborda também a segregação entre brancos e negros e as dificuldades pelas quais passavam, ele mostra o cotidiano de uma pequena cidade, e não se prende apenas sobre o crime, mas sobre tudo o que acontece no condado, o que não torna a leitura cansativa.

Uma trama cheia de suspense, corrupção, traição e isolamento racial. Super recomendo, leiam e se surpreendam com O Último Jurado!