terça-feira, 2 de agosto de 2011

'A Confissão' [1]


Nicole não tinha histórico de problemas emocionais, distúrbios alimentares, comportamento errático, cuidados psiquiátricos ou uso de drogas. Elas simplesmente desaparecera. Sem testemunhas. Sem explicações. Nada. Vigílias de oração em igrejas e escolas aconteciam ininterruptamente. Uma linha especial foi criada e houve uma enxurrada de telefonemas, mas nenhum se mostrou convincente. Foi criado um site na internet para monitorar as buscas e conter fofocas. Especialistas, reais e falsos, foram à cidade oferecer conselhos. Um médium apareceu sem ser convidado, mas deixou a cidade quando ninguém se dispôs a pagar. Enquanto as buscas se arrastavam, as fofocas se multiplicaram, com a cidade não falando em quase mais nada. Um carro de polícia ficava parado 24 horas por dia diante da sua casa, aparentemente para fazer a família se sentir melhor. A única emissora de televisão de Slone contratou outro foca para descobrir tudo. Voluntários vasculhavam a região, com a busca se estendendo ao interior. Portas e janelas foram trancadas. Pais dormian com as armas nas mesinhas de cabeceira. Crianças pequenas eram vigiadas atentamente pelos por pais e babás. Pregadores modificaram seus sermões para reforçar seus ataques ao mal. A polícia deu entrevistas diárias na primeira semana, mas quando se deu conta de que não tinha nada a dizer, começou a pular alguns dias. Estavam esperando, contando com uma pista, um telefonema inesperado, o informante interessado no dinheiro da recompensa. Rezavam por um golpe de sorte.

Trecho do livro 'A Confissão', p. 24,  de John Grisham (Editora Rocco)

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