domingo, 28 de novembro de 2010

Theodore Boone: aprendiz de advogado


Lançamento
Editora Rocco
304 p.
2010

Theodore Boone tem 13 anos, vive com os pais e sonha se tornar um grande advogado quando crescer. Mas quando se vê envolvido no centro de um terrível assassinato, ele descobre que o tribunal está mais perto do imaginava. Um perigoso assassino está prestes a ser libertado e Theo é o único que sabe a verdade. Os riscos são grandes, mas o jovem não vai desistir enquanto a justiça não for feita. Estreia do besteseller John Grisham no segmento infantojuvenil, o livro estreou na disputada lista dos mais vendidos do The New York Times na semana do seu lançamento, permanecendo entre os bestsellers do mercado norte-americano durante mais de 15 semanas. Mestre dos tribunais, John Grisham é autor de 24 livros, que venderam mais de 250 milhões de exemplares em todo mundo.

sábado, 20 de novembro de 2010

Mestres do suspense revezam estilos


Após lançarem livro de contos e romance, best-sellers Stephen King e John Grisham trocam de gênero em novas obras

Enquanto o primeiro se sai bem no volume "Full Dark, No Stars", o segundo enche linguiça em "The Confession"

KING PARECE CAPAZ DE ESCREVER HISTÓRIAS COMPACTAS OU IMENSAS COM A MESMA FACILIDADE

É UM ROMANCE SÓLIDO, MAS LERDO, QUE NÃO PODE SER INCLUÍDO ENTRE OS MAIS ESCALDANTES DE GRISHAM

JANET MASLIN
DO "NEW YORK TIMES"

Em novembro do ano passado, John Grisham lançou "Caminhos da Lei" (Rocco, R$ 38,50; 320 págs.), uma coleção de contos por um autor cuja especialidade são os romances jurídicos.

São histórias reveladoras. Demonstram quanta verve, suspense, informação e ambiguidade moral Grisham é capaz de inserir em uma estrutura básica de trama. Ele se prova capaz de realizar em 40 páginas o que normalmente faz em romances dez vezes mais extensos.

No mesmo mês, a Scribner publicou "Under the Dome" (sob o domo), de Stephen King, mais um de seus tijolos literários de mais de mil páginas. É um livro complicado, com tamanho de peso para portas, mas é uma das mais ágeis e enxutas realizações narrativas do escritor.

Passado um ano, a situação se inverteu. Grisham retomou o seu formato longo usual com "The Confession" (A confissão, a ser lançado pela Rocco em data a definir), sobre um homem injustamente condenado que aguarda execução em uma penitenciária do Texas.

E King decidiu trabalhar em modo curto com "Full Dark, No Stars" (escuro total, sem estrelas, sem previsão de lançamento no Brasil), uma coleção de quatro histórias assustadoras e com moral no final.
Dois dos mais prolíficos e constantes escritores populares americanos variaram o passo ao mesmo tempo.

Como se saem no contraste entre formatos longos e curtos?

No caso de Grisham, é mais fácil avaliar devido à maneira mecânica pela qual "The Confession" foi construído. O livro inteiro gira em torno de um elenco pequeno e de uma premissa que envolve só três personagens.

Primeiro ele inventou Donté Drumm, um jogador negro de futebol americano que, em 1998, foi condenado pelo estupro e homicídio de Nicole Yarber, uma branca animadora de torcida que era sua colega de classe.

Depois, ele inventou Travis Boyette, um criminoso sexual vulgar que já passou pela prisão e chega a
Topeka, Kansas. Ele sofre de um tumor cerebral incurável e alega ser o assassino de Nicole.

Então surge o reverendo Keith Schroeder, pastor luterano de Topeka que se vê em um dilema terrível quando Travis aparece, pergunta se pode fazer uma confissão confidencial e diz: "Fui eu. Não sei o porquê".

ENCHEÇÃO DE LINGUIÇA
Já que Travis confessou alguns dias antes da execução de Donté (que também confessou, mas sob coação de policiais corruptos), "The Confession" funciona como uma corrida contra o tempo.

Também serve como longa lição sobre as divisões causadas pelas questões raciais e as injustiças praticadas sob o sistema judicial do Texas.

Grisham amplifica a trama por meio de Robbie Flak, o advogado de Donté, que não tem tempo para ouvir o reverendo; do governador Gill Newton, que espera explorar o caso para ganho político; de Dana Schroeder, a paciente mulher do pastor; de Reeva Pike, mãe de Nicole, que quer explorar a execução; e de Sean Fordyce, um apresentador de TV picareta.

Grisham identifica Sean como "um irlandês escroto de Long Island", o que permite que o leitor extraia suas próprias conclusões. Há muita encheção de linguiça. O desfecho não oferece grande suspense e momentos decisivos transcorrem bem antes do final.

Assim, temos um romance sólido, mas um tanto lerdo, que não pode ser incluído entre as histórias mais escaldantes de Grisham. Os momentos de aprendizado são mais importantes que os de suspense, algo de que King jamais poderia ser acusado.

PROPULSÃO E AGRESSÃO
"Full Dark, No Stars", de King, tem muitos momentos puros de terror. O tamanho da população de roedores que o livro abriga bastaria para valer o rótulo "horror".

Mas o trabalho atrairá mesmo leitores que se incomodam com o excesso de detalhes sobre roedores, especialmente em "1922", o primeiro dos quatro contos. A história é narrada por Wolf James, um fazendeiro do Nebraska que pareceria muito simpático não tivesse cortado a garganta da mulher, jogado o corpo em um poço e implicado o filho do casal no homicídio.

Quem, a não ser King, conseguiria tornar cativante uma situação como essa? O escritor costuma declarar que os melhores trabalhos de ficção são tanto "propulsivos quanto agressivos" e seu novo livro prova esse ponto.

Quando Wolf enfim descreve seu crime, já estabeleceu uma voz confiável, crível e exibe traços de profundo arrependimento. (Como os três outros contos do livro, "1922" tem por protagonista uma pessoa envolvida em uma barganha faustiana.)

Por isso é possível, se bem que não fácil, pensar no aspecto brutal dessa história não do ponto de vista da violência física, mas como expressão do estado mental torturado do protagonista.

PODER IMAGINATIVO
Os outros contos são mais contemporâneos, menos infestados de ratos e mais fáceis de apreciar. "Big Driver" (grande motorista) se destaca porque o personagem principal, como King, é uma escritora conhecida. É fácil imaginá-lo rindo ao conceber Tess, muito amada por seus romances de mistério, queridos das velhinhas.

No começo da história, Tess está a caminho de uma noite de autógrafos em Massachusetts. Ela foi convidada como tapa-buraco depois que Janet Evanovich cancelou sua participação.

King diz que imaginou a premissa enquanto dirigia pela mesma estrada pelo mesmo motivo, ainda que todos saibamos que ele jamais é convidado a substituir outro escritor em uma noite de autógrafos. Mas, ao fazer uma parada, viu uma mulher com o carro quebrado e teve um rompante de inspiração.

Em "Big Driver", Tess primeiro se perde e depois termina muito ferida. E ela jamais esteve mais desagradavelmente cônscia de sua condição de celebridade do que ao tentar decidir o que fazer. Será que ousa denunciar o que lhe aconteceu? O ataque a mudará para sempre?

O esforço de Tess para restaurar sua dignidade e segurança, e também para obter justiça, se transforma em exibição envolvente do poder da imaginação de King.

"Fair Extension" (extensão justa) é a piada mais sombria do livro, sobre um homem doente que só consegue adquirir saúde e felicidade ao impor misérias a um amigo que costumava ser frequente alvo de sua inveja.

E "A Good Marriage" (um bom casamento), que fala de um casamento nada feliz, aponta alegremente para os sinais de perigo na longa união entre um discreto contador que coleciona moedas e a mulher desprevenida.

O mais interessante do conto não é o segredo que a mulher descobrirá, mas o fato de King parecer capaz de escrever histórias compactas ou imensas com a mesma facilidade e de fazer do mais anódino dos contadores uma fonte de frisson.

Não importa qual seja a extensão dos textos, King sempre deixa uma mensagem simples: "Tá dominado".

Tradução de PAULO MIGLIACCI

THE CONFESSION

AUTOR John Grisham
EDITORA Doubleday (importado)
QUANTO US$ 15,48 (cerca de R$ 26,47) na Amazon (432 págs.)

FULL DARK, NO STARS

AUTOR Stephen King
EDITORA Scribner (importado)
QUANTO US$ 14,51 (cerca de R$ 24,81) na Amazon (384 págs.)

RAIO-X JOHN GRISHAM


VIDA
Nasceu em Jonesboro, EUA, em 1955. Graduou-se em direito

OBRA
Obteve reconhecimento comercial com thrillers judiciais, como "A Firma". É o único autor a vender 2 milhões de cópias de uma primeira edição além de J.K. Rowling ("Harry Potter")

RAIO-X STEPHEN KING


VIDA
Nasceu em Portland, EUA, em 1947

OBRA
Tornou-se célebre por narrativas de terror, como "Carrie, a Estranha", "O Iluminado" e a série "A Torre Negra". Escreveu 49 romances que venderam mais de 350 milhões de cópias


Fonte: Folha de S. Paulo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Qual seu livro preferido de John Grisham?



Enquete encerrada.

Qual seu livro preferido de John Grisham?

Confiram os resultados:

Para a maioria dos leitores , o livro preferido de John Grisham é O Advogado com 18% dos votos, seguido de O Sócio com 16%. Os lanterninhas foram Esquecer o Natal, Nas arquibancadas e o recém-lançado Caminhos da Lei, cada um com 1%.

Tempo de matar (14%)
A Firma (13%)
O Dossiê Pelicano (8%)
O Cliente (2%)
A Camâra de Gás (2%)
O Homem que Fazia Chover (4%)
O Júri (12%)
O Sócio  (16%)
O Advogado (18%)
O Testamento (14%)
A Confraria  (8%)
A Casa Pintada (10%)
Esquecer o Natal (1%)
A Intimação (5%)
O Rei das Fraudes (9%)
Nas Arquibancadas  (2%)
O Último Jurado (9%)
O Corretor (10%)
Jogando por Pizza (1%)
O Recurso (12%)
O Negociador  (13%)
Caminhos da lei (1%)

Obrigado a todos os participantes!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"The Confession" no Los Angeles Times


Book review: 'The Confession' by John Grisham

The murder of a prep cheerleader, a falsely accused football star and a convicted sex predator with a guilty conscience set in motion a breakneck-paced legal thriller with that Grisham touch.

By Chris Erskine | Los Angeles Times

If only life moved along at the same clip as a John Grisham novel. Beginning writers should study him the way budding composers study Brahms or Pachelbel. He is a master at pacing, even if that doesn't always make up for some of his shortcomings.

His latest, "The Confession," is again legal literature on meth. Travis Boyette is an evil, deathly ill parolee in Kansas with a secret he has to share with someone. The serial rapist picks everyman minister Keith Schroeder for his out-of-the-blue confession to the murder of a high school cheerleader in Texas a decade earlier.

The clock is ticking — it usually is in a Grisham thriller — and in this case that ticking is the impending execution of someone else for the crime, former linebacker Donté Drumm, who confessed to the rape-murder under duress.

Boyette, whose brain tumor is his own personal ticking clock, wants to clear his conscience and spare an innocent man the lethal injection that the state of Texas is about to administer. Reluctantly drawn into the saga, the Topeka minister agrees to drive Boyette to the east Texas town where the murder occurred, in hopes a confession will stop the wrongful execution of Drumm, now days away.

As always, Grisham's cast of characters could fill a courtroom —- you almost want a scorecard.

Atop the heap is Robbie Flak, whose aggressive little law firm "became the destination for those considered even remotely slighted by society. The abused, the accused, the mistreated...."

There is Drumm himself, whose body and spirit have withered after years on death row. Drew Kerber is the corrupt cop who helped coerce the bad confession. Paul Koffee is the prosecutor who saw the lousy-with-holes case through the courts and numerous appeals. Joey Gamble is Drumm's jealous former teammate, who falsely testified that he saw the black linebacker at the mall where the white cheerleader disappeared. Gill Newton is the "[b]rash, loud, vulgar (in private)" wildly popular governor of Texas, mindful only of his poll ratings.

Those are just the starters. The B-team consists of associates, judges, pastors and multiple mothers. Good thing Grisham tells his stories at a fierce, can't-put-it-down clip. For, if you ever set the book aside for more than a few days, you'd be forced to go back and highlight the names.

As always, the book starts fast and finishes faster, though there are those who claim Grisham's beginnings are always better than his endings. I see that, but this one wraps up nicely. And even amid the residue of an awful murder and a bum prosecution, he allows that a town filled with mostly decent people can prevail.

As is frequently the case with Grisham, there are no moral grays areas, which probably suits our polarized world. Those in power are corrupt; those who aren't are honorable but abused. He never seems able to mine the middle ground the way say, Tom Wolfe, or other more nuanced authors deftly do.

Two scenes in particular stand out. One is the replay of the teen's coerced confession, which doesn't really pack the emotional punch you'd expect. I never bought why a strong, bright young man could be so easily swayed.

The other scene is far more effective — a beautiful and personal reflection on a mother's love for the innocent young man whom most of the world thinks is a killer.

"Get up, Donté, and let's go to church," she says. "You'll find a wife there and have ten children. Hurry now, there's so much you've missed. Please. Let's go show you off in your fine new outfit. Hurry now."

chris.erskine@latimes.com